domingo, 2 de fevereiro de 2014


Poemas da Semana

Poemas de Ferreira Gullar, Alberto da Cunha Melo, Antonio de Campos, Miró e Negreiros Neto

Poema*
Ferreira Gullar

    Foto: Reprodução

Se morro
universo se apaga como se apagam
as coisas deste quarto
                                  se apago a lâmpada:
 os sapatos - da - ásia, as camisas
 e guerras na cadeira, o paletó -
 dos - andes,
           bilhões de quatrilhões de seres
 e de sóis
         morrem comigo.

 Ou não:
        o sol voltará a marcar
        este mesmo ponto do assoalho
        onde esteve meu pé;
                                      deste quarto
        ouvirás o barulho dos ônibus na rua;
            uma nova cidade
            surgirá de dentro desta
            como a árvore da árvore.

Só que ninguém poderá ler no esgarçar destas nuvens
a mesma história que eu leio, comovido.

*Disponível em: http://www.culturapara.art.br/opoema/ferreiragullar/ferreiragullar.htm



Exercício (1)
Alberto da Cunha Melo

    Foto: Reprodução

Quero o poema
terra-a-terra,
o poema raso
e rasteiro,
o poema-vil,
o poema-víbora,
o poema
fácil e fatal,
louco e lindo
feito o bem sobre o mal.



Poema para um filho que se foi
Antonio de Campos

              a Pedro-Antonio Guerra Campos, em memória

    Img: Reprodução

Enquanto recolho a roupa no varal,
vou chorando e tudo o que o Sol enxugou,
deixa molhado minhas lágrimas
com saudades de não mais te ver

Assim guardo lençóis inteiros,
grandes lenços brancos
cheios de sal e dor

Em casa, ando de cabeça baixa
para não ver tuas fotos na parede,

com teus olhos implorando salvação
e eu impotente
como um Cristo de sexta-feira

A carpa vermelha que me pediste de presente,
ainda é a mesma,
eu é que sou outro
e nem em mim estou, de ausente

Que bala envenenada
acertou-te a cabeça e meu coração?

janeiro 30, 2014



Calma mente*
Miró

    Foto: Reprodução

A vida passa devagar na praia
Um roupão vai cobrindo
as varizes do tempo
Assim como eu
sem nenhum tesão de ir pro galo
Nem vendo graça nenhuma em ficar
subindo e descendo ladeiras de Olinda.
A vida passa gostosamente devagar na praia,
assim como passou aquela senhora
e eu aqui agora

*Onde está Norma?, 2006



O lavrador de estrelas
Negreiros Neto (Itaquitinga/PE – 2014)

    Img: Reprodução


Lavrei, lavro, lavrarei
Amarrando com braços fortes
Meu arado em cavalos alados
Campos magnéticos cultivarei

Plantio de estrelas
No espaço que conquistei
Sirvo-me como um servo desse plantio
Que tantas safras imaginei

Em cromo e terras-raras
Hidrogênio semeei
Eta Carinae
Errante Deusa que criei

Na magnitude do teu brilho
Me apaixonei
Teu curto tempo de vida
Para entendê-lo apenas te amei

Seguindo a Via-Láctea
Que é a rota mais certa
No expresso da imaginação

Que passa a noite por minha janela



13 comentários:

  1. Obrigado ao Domingo Com Poesia por semear meus sonhos nos campos da poesia.

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  2. Caro Negreiros, o nosso ofício é divulgar a poesia e tecer sonhos. Parabéns pelo poema. Um abraço.

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  3. Parabéns pelo prestígio painho,muito orgulhosa.

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    1. Obrigada minha filha a sua moda tb é uma poesia. Agradecemos por divulgar e votar no Site.

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  4. O domingo torna-se mais poético quando eu leio poesias tão belas e profundas... Obrigada!!!!!!!!!!!!!!

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    1. Olá Verluce, agradecemos muito sua visita. O domingo tb é da poesia!

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    2. Obrigada Verluce por seu comentário.

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  5. Obrigada nobre amigo Negreiros por fazer da vida, através da arte, que se torne mais radiante de amor.

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    1. Obrigado, Liliane! Sempre presente nessa minha caminhada.

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  6. Neto, Itaquitinguense como você, não poderia deixar de parabenizar-lo pelo conjunto da obra um destaque com esse não é para qualquer um, entre tantos ícones da poesia. Parabéns continue você merece. OGE

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    1. Obrigado, Oge! grande parceiro nesta caminhada.

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  7. Parabéns meu amor, que você tenha sucesso nessa nova caminha.
    Sinceros votos da sua esposa e amiga.

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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima