domingo, 22 de dezembro de 2013


Poemas da Semana

Poemas de Natanael Lima Jr, Frederico Spencer, Neilton Limeira, Carmem Couto e Marcus Accioly

Solilóquio*
Natanael Lima Jr

                     aos Menezes, Antonino, Douglas e Frederico

    Img: Reprodução

a praça está vazia...

e talvez o silêncio 
descreva o que sinto agora
na solidão da madrugada
sem amigo e sem poesia

escuto de minh’ alma uma voz silente, fria:
- por que o teu coração amarga descrenças,
tristezas e incertezas?

ah, alma intranquila que és!
à noite segue-se o dia
e o canto que te sorves agora
transforma, acalma e ilumina

talvez o silêncio da praça
descreva o que sinto agora
na solidão da madrugada vazia

novembro/2010

*do livro “À espera do último girassol & outros poemas”, 2011



O silêncio habita*
Frederico Spencer

    Img: Reprodução

O silêncio habita
na casa, quarto e sala
no coração do homem, seus vazios:
casarios com suas vozes inventadas
neles os fantasmas da infância impregnada.
Nas ruas os silêncios
de todos os homens
são fantasmas de um tempo
de labuta e caliça
fabril, multiplicada
nas mãos dos homens
a manhã acorda amordaçada
da noite, que sobrou:
o cio da cadela amada.

*do livro “Abril Sitiado”, 2011



Versículo
Neilton Limeira*

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O Universo calado
Escuta o próprio silêncio
Contemplando os que oram
os que matam
Passos diferentes seguem
Leis inconsequentes regem
O imundo, o purificado
Em luta com este ser imenso
Controlando os que choram
os que acham
Falsos referentes medem
Reis envolventes pedem
Para o mundo inacabado
O aroma de um podre incenso
Consumando os que adoram
os que vagam
Salmos coerentes querem
Greis indiferentes servem
E o universo calado
Ressoa o próprio silêncio.

*Neilton Limeira é poeta e professor universitário



Fantasia
Carmen Lúcia Couto*

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Raiou teu amanhã
incorporado no meu ter.
Teus olhos, tão vazios,
inventam histórias,
criam situações e
encurralam meu viver.
Uma hora se assemelha ao sol do meio dia
que aquece, ferve e dissipa minha ira.
Outra hora é glacial, insípido e sem querer.
Que arrefece, entristece e agonia.
Uma parte de tua alma me chama,
mas a outra insiste em te esconder.
Uma parte do meu pulsar te atrai,
mas a outra te repudia.
Mesmo assim,
na desarmonia do nosso encontro,
ainda és meu guia.
No desalento de tua vontade,
ainda és minha luz , meu desejo...
meu amor e minha fantasia.

*Carmen Lúcia Couto publicou 50 em diante: cantos e poesias. Recife, ideia, 2012



Ao rés do chão*
Marcus Accioly

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Ao rés do chão (amor) ao rés do chão
vinha da vinha uma serpente e eu disse:
“espera” (pus na flauta uma canção
para encantá-la) ah se ela me ouvisse
(as serpentes são surdas) ai amor
eu fui ferido pela flauta-viva
que me tocou à boca e a dor foi dor
(ah ferida de morte esta ferida
que com rezas curei) amor não vale
tocar para as serpentes deste Vale
soprando aos lábios tubo tão pequeno
(por isso eu tenho em carne-viva a língua
     que em vez de flauta eu toco a minha víbora
     e bebo mas destilo o seu veneno.


*do livro Érato – 69 poemas eróticos e uma ode ao vinho, 1990



11 comentários:

  1. Olá querida amiga, a poesia é este encanto, uma coisa maluca, intensamente tocante. Abç.

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  2. A Praça vazia, uma poesia que mexe com a Alma, arrancando-me Lágrimas.

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    1. Agradeço seu comentário e sua visita. A poesia tem esse encanto.
      Abç,
      Natanael

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    2. Poesia é mistério e encanto, a palavra reinventada. Obrigado pela visita, volte sempre.

      Frederico Spencer

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  3. Agradecemos seu comentário. A poesia é encantadora!

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  4. Sonolência domingueira do silêncio invadiu a poesia.
    Parabéns ao Domingo com Poesia.

    abraços!
    Adriano Marcena

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    1. "Uma pitada de poesia é o suficiente para perfumar um século inteiro." É o domingo da poesia.

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  5. Excelente!!! Lindos poemas. Obrigada pela publicação!

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    1. Olá Carmem, agradecemos tb por seu poema. Volte sempre!

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  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima