domingo, 15 de dezembro de 2013


Decreto de Morte

por Salete Rêgo Barros*








"A morte é algo inevitável. Quando um homem fez tudo o que considera seu dever em relação ao seu povo e ao seu país, ele pode descansar em paz. Eu acredito que fiz esse esforço. E é por isso que eu vou dormir por toda a eternidade".
(Nelson Mandela)

“Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar”. 
(Clarice Lispector)

Img: Reprodução

Assistimos, recentemente, homenagens e despedidas transmitidas ao vivo, em memória do líder sul-africano Nelson Mandela, falecido no dia 5 deste mês, aos 95 anos, e comemorações da passagem do 93º aniversário de nascimento da escritora e jornalista Clarice Lispector, em 10 de dezembro, e do 36º aniversário de sua morte, aos 57 anos, em 9 de dezembro.
 
Oficialmente mortos, Nelson e Clarice continuam mais vivos do que nunca. Ele dedicou a vida à luta contra o preconceito racial e ela, à literatura, ambos imortalizados na memória dos que sofreram a influência de seus pensamentos e ações, e nas páginas da História. 

Para a ciência, a morte é o fim da vida física; para a religião, a separação entre o físico e o não físico ou entre o corpo e a alma.

Permeada por especulações de cunho científico e religioso, a existência humana permanece uma incógnita. A cada dia, a ciência faz novas descobertas que, muitas vezes, contradizem as anteriores, e a crença religiosa, baseada na fé, permanece alimentada pelo conformismo, pela negação da finitude do ser humano e pela carência protetora. 

Decretemos, pois, a morte da morte, baseados na objetividade dos fatos que estão ao nosso alcance, pois podemos ser imortais, independentemente do decreto das academias. 

Decretemos a morte das injustiças, do preconceito, da arrogância, da ganância, da corrução e da ignorância; do deus permissivo; do deus que se revela, apenas, aos pretensos escolhidos; do deus vingativo; do deus manipulador, enfim, do deus criado à imagem da ignorância do ser humano. 


11 de dezembro de 2013.

*Salete Rêgo Barros é escritora e editora da Novoestilo Edições do Autor e produtora cultural executiva da Cultura Nordestina Letras & Artes






16 comentários:

  1. A imortalidade se constrói a cada dia. Mortais, todos somos, imortais é que são elas. Independente dos mistérios da vida, a bondade, o amor, a humildade e a compaixão por certo contarão a favor nos derradeiros momentos, pois algo maior prevalecerá em algum ponto. Lutadores, questionadores, inconformados, seres especiais, jogados nesse grande mistério chamado VIDA. A grandiosidade com que Mandela entrou, permaneceu e saiu da cadeia é próprio de seres muito especiais e consequentemente, imortais.Perfeito o texto.

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    1. Taciana, Salete sempre nos brinda com textos belíssimos e oportunos, iluminando nosso portal. Volte sempre. Obrigado pelo apoio.

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  2. Excelente o seu texto sobre Mandela e Clarice, Salete. "Continuam mais vivos do que nunca". Verdade. Beijos.

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    1. Jade, falar de dois ícones não é fácil, principalmente com esta leveza que é peculiar em Salete. Obrigado mais uma vez.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Morre quem, de repente, vive a apodrecer
    Devorando a si constantemente à espera
    Do óbito para sepultar-se.

    Parabéns, Salete!

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    1. Parabéns a Salete e a você Adriano pelo texto da postagem, existe um poema ENTE-QUERIDO de minha autoria que expressa bem esse sentimento. Obrigado!
      http://blogoge1.blogspot.com.br/2013/09/itaquitinga-versos-e-poisias-de-jose.html

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    2. Olá Negreiros Neto, agradecemos sua visita e comentário.

      Natanael Lima Jr

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  5. Muito bom o texto. Além de homenagear esses dois ícones, ainda alfineta a nossa consciência com uma reflexão pertinente da perspectiva das religiões hoje em dia.

    Concordo com tudo.

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    1. Olá Lorena, valeu pelo comentário e visita. Volte sempre!

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    2. Lorena, valeu o comentário. O bom de tudo isto é que estamos levantando debates. Este é nosso papel! Volte sempre.

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  6. Prezados LORENA e JOSÉ VIDAL DE NEGREIROS NETO. Tudo bom? Gostei dos seus comentários. Obrigado.
    José, li seu poema Ente-querido. Bem interessante. Domina bem a forma, coisa que não levo jeito é poesia. Mas aproveitei para brincar um pouco com as palavras que você reuniu no seu poema. Espero que o entenda como um prazeroso exercício lúdico:

    ENTE-DIA-MENTE

    “Meto a física
    No sopro ontológico da morte
    E nunca vou morrer
    Entre desperdícios do luto
    Sempre um morto-vivo
    Compartilhado entre familiares e amigos”.

    Grande abraço!
    Adriano Marcena

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    1. Que legal gente! O espaço está aberto ao debate!

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    2. Como sempre, Marcena é contundente. Até rimou.

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  7. Muito bom Adriano fiquei surpreso com a sua criatividade lúdica e lisongeado por usar meu poema. Parabéns!

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    1. Negreiros Neto o espaço está aberto, volte sempre, envie seus poemas através de nossos e-mails.

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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima