domingo, 17 de novembro de 2013


O Místico e o Erótico em Bandeira

Albayde, Alexandre Cabanel, 1848




Ao adentrarmos a obra de Manuel Bandeira encontraremos poemas nos quais o místico e o erótico se fundem em síntese primorosa.

Um dos seus poemas mais expressivos é Alumbramentos, escrito em Clavadel, na Suíça, em 1913, aflora a face mística de Bandeira: “Eu vi os céus! Eu vi os céus!/ Oh, essa angélica brancura/ Sem tristes pejos e sem véus!”.

Em outros, a inflamada afirmação do erótico, como se pode ver em Vulgívaga, Duas Canções do Beco ou Cântico dos Cânticos. Como Eros apresenta várias faces, Manuel Bandeira não foge a nenhuma delas, focalizando-as através de uma escritura que ora aparece vestida, ora cintila a sua nudez, ora esconde para melhor entrever a força deslocadora que a sensualidade impõe ao humano. Davi Arriguci Jr. ressalta que, em Libertinagem, Manuel Bandeira une “ostensivamente transgressão formal e erotismo” (1990, p. 163). No poema Vulgívaga, a raiz da palavra é vulgas, aquele que se avilta ou que se prostitui: “Não posso crer que se conceba/ Do amor senão o gozo físico!/ O meu amante morreu bêbado,/ E meu marido morreu tísico!”

Manuel Bandeira foi, sem dúvida, o mais completo poeta brasileiro. Foi ao mesmo tempo romântico, parnasiano, simbolista, modernista e concretista. Seus poemas expressaram sentimentos diferentes e contraditórios, como alegria e tristeza, crença e descrença, misticismo e erotismo.

Os editores





3 comentários:

  1. Um prazer poder conhecer e acompanhar este espaço.
    Um grande abraço e se desejar pode conhecer meu cantinho - http://tudoepossivel-infinitoparticular.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Malu, o prazer é todo nosso receber sua visita e saber que você nos acompanha. Volte sempre. Vou visitar você também.

      Excluir
  2. Olá Malu, agradecemos sua visita e seu comentário. Volte sempre!

    ResponderExcluir

  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima