domingo, 14 de julho de 2013


O conto da semana

Humanos (conto) de Marco Polo Guimarães
  

(Img: Reprodução)


Somos humanos, porque aqui todos os seres são humanos. Todos são vistos, analisados, classificados e nomeados pelos humanos, logo, todos são humanizados. Todos existem a partir dos humanos. Mesmo nós, que no início não tínhamos nem aparência físicas, nem emoções e inteligências humanas, fomos, à medida que nos alimentávamos dos humanos, adquirindo todas as suas características, tanto físicas quanto espirituais. Apenas numa coisa continuamos diferindo dos humanos: só matamos por necessidade. Cada humano que matamos é completamente aproveitado. A carne em guisados, assados, frituras, ensopados, picadinhos. Os cabelos na tessitura de tecidos, depois utilizados em roupa, livros ou objetos de adorno para o corpo ou decorativos para a casa. Os ossos esculpidos em instrumentos utilitários, armas ou obras de arte. Realmente, damos valor aos humanos. Quando chegamos aqui em nossa nave éramos seres disformes, carentes de tudo. Hoje não. Somos humanos. E nos orgulhamos disso.

In Autópsia do Bípede. Editora Confraria do Vento, 2013



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