domingo, 12 de agosto de 2012


Um Domingo de Poesia aos Pais




As mãos de meu Pai
Mário Quintana 

Virá dessa chama que pouco a pouco,
longamente, vieste alimentando na terrível
solidão do mundo, como quem junta uns
gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, como os fizeste arder, fulgir,
com o das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos
nodosas... essa chama de vida
que transcende a própria vida...
e que os anjos, um dia,
chamarão de alma...



O Pai
Pablo Neruda

 Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflete.

Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de beijá-la... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.


Pablo Neruda, in "Crepusculário"
Tradução de Rui Lage.






NOSSA HOMENAGEM AO COBRA DO CORDEL




A poesia genuinamente pernambucana brasileira dá adeus ao poeta Cobra Cordelista, que deixa de cantar por estas paragens e que agora vai cantar com as cigarras e voar com as borboletas: "Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: Sou poeta”.

A poetisa Cecília Meireles define bem com este fragmento do seu poema Motivo, a condição de ser poeta e as razões que o levam a escrever. Para ela, poeta é alguém que não é "alegre nem triste", que canta as experiências singulares vividas a cada instante. Define para o eu lírico que poeta é aquele que canta (celebra em poesia, sua razão de viver) o momento presente, vivido em sua plenitude e transcendência.


O GRANDE CORDELISTA COBRA


Edir Peres*
edirperes@gmail.com











Foto: Marcelo Ferreira


Caro Natanael,

Jaboatão sempre foi um berçário de poetas e escritores. Mas também tem sido pai adotivo de inúmeros poetas e artistas que resolveram VIVER (em) Jaboatão. Você está entre estes. Outro exemplo recente foi nosso Grande Cordelista Cobra. O poeta nasceu em Recife, migrou para o Cabo de Santo Agostinho (talvez para encontrar-se com você) e de lá resolveu vir para Jaboatão. Aqui foi bem recebido, acolhido com carinho e, aos poucos foi se integrando e dedicando seu talento à Cultura.

Começou escrevendo cordéis, compondo músicas, escrevendo livros e transmitindo aos jovens e crianças a sua arte de cantar, declamar e contar histórias (e estórias).

Fundou e coordenou o Projeto Curupira que tanto serviu para divertir e ensinar arte e cultura a tantos adolescentes e jovens de Jaboatão, do Recife, Cabo, Ribeirão e, recentemente, decidiu, corajosamente, se embrenhar pelo sertão. Esteve em São José do Egito, em Teixeira (Paraíba) e tantos outros lugares que podem ser conferidos em seu blog sempre atualizado (fico pensando quem atualizará seu blog? Será seu filho Júnior, sua esposa Nete....

Cobra, com seu talento e seu esforço conseguiu chegar a ocupar a Presidência do Conselho Municipal de Cultura e homenageado pela Câmara de Vereadores (em 2007) com o título de Cidadão Jaboatanense. Legitimou-se como Filho de Jaboatão, merecidamente.

Lembro-me de um cordel que ele fez, caminhando comigo para conhecer Jaboatão: Visitamos a Colônia dos Padres, a Basílica N.S. Aparecida, a Gruta de N. S. de Lurdes, o Monumento à Medalha Milagrosa, o Mamer (onde conheceu e travou uma boa amizade com Padre Ramiro Amigo). Conversaram bastante sobre Ribeirão onde também Pe. Ramiro atuava. Depois, visitamos a Lagoa Azul, o Mercado de Cavaleiro, onde conversou com vários feirantes antigos para conhecer a história e o passado.  Passeamos também pelo Santuário de N. dos Prazeres, a Capela e Conventinho de N.S da Piedade, a Igreja de N.S do Loreto e tantos outros pontos turísticos da nossa cidade. De tudo isso ele fez um compêndio, uma arte literária que deve ser lida por todos os que moram ou querem conhecer Jaboatão. Em nosso roteiro de visitas, fomos ao Instituto Histórico de Jaboatão onde ele conheceu e fortaleceu seu acervo com a sapiência e experiência da Professora Adiuza Belo. Voltou outras vezes ali para pesquisar. Cobra não se limitava às informações que recebia. Era um pesquisador e buscava nos livros o complemento das informações para escrever seus cordéis e seus livros.


De repente, recebo a informação, era domingo, dia 05 de agosto (dizem que é um mês agourento) e alguém telefonava - "nosso amigo Cobra acaba de partir". Era a voz do nosso Prefeito Elias Gomes. Depois outras pessoas telefonaram. Mensagens pelo telefone. Fiquei desnorteado. Procurei saber da família (Profª Nete, filhos...). Somente na segunda-feira pude completar as informações. A verdade era que não teríamos mais a voz e os versos de Cobra. Contentamo-nos com as gravações, as fotos, todo o acervo que deixou e que precisamos preservar para a história do Jaboatão dos Guararapes. Com minha fé cristã (que ele também professava) tenho a certeza de que Cobra não morreu. Cumpriu sua missão aqui na terra e está na Casa do Pai, com certeza alegrando, cantando e contando estórias, rodeado de Anjos.


*Edir Peres é economista e atual vice-prefeito do Jaboatão dos Guararapes.




Cobra, o ‘Cobra’ Cordelista
Telmo Domingues


Era um homem da arte
Poesia, poema, cordel e fantasia;
Era um amante da vida;
Dessas que contagia.

Ligado à natureza,
Cantava os pássaros,
Dos clássicos, à cotovia.
Era um homem da noite,
De prosa e muita alegria.

Foi-se embora para outras paragens,
Foi sem descobrir quais as vantagens,
Foi persuadir com sua obra genial;
Foi de vida um “cobra”, agora, é imortal.

Não pertenceu à Academia,
Não publicou best seller algum;
Foi na vida uma passagem humilde,
Sem novidade de vida, nada incomum.

Voou para bem longe, para o além,
Nosso “Cobra”, o cordelista;
Foi-se embora o querido amigo,
Mas ficou o legado do artista.






3 comentários:

  1. ola, estive vendo seu blog, pelo motivo que tem um assunto relacionado ao meu, e achei muito bom, se poder ganhe um tempo para visitar o meu http://assombrado-mc.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Agradeço amigo e visitaremos seu blog.

    Grande abraço,

    Natanael

    ResponderExcluir
  3. ois, Natanael,

    Parabens pelo belo blog.

    Quando tiver um tempo, da uma
    olhada no meu blog de poesias:

    http://ozonioazul-poesia.blogspot.com.br/

    ficaria honrado se deixasse algum comentario
    ou mesmo se me seguisse.

    Saudacoes, Eridanus

    ResponderExcluir

  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima