domingo, 5 de agosto de 2012


A Poesia (viva) de Mauro Mota e Joaquim Cardozo



O Blog Domingo com Poesia homenageia dois importantes poetas pernambucanos nascidos no mês de agosto: Mauro Mota e Joaquim Cardozo.

(Com profundo pesar recebemos a notícia do falecimento do querido amigo e poeta Cobra Cordelista, neste exato momento, às 15h30 de um domingo dedicado à poesia e a todos aqueles que semeiam a palavra, discípulos da intuição e da inspiração: os poetas. Dedicamos esta postagem a você meu poeta, um grande abraço fraternal e sua poesia permanecerá sempre presente entre nós, sempre viva. Até lá poeta!)

Mauro Mota nasceu em 16 de agosto de 1911. Foi um dos mais destacados homens públicos do século 20. Poeta, cronista, geógrafo, folclorista, jornalista e gestor de instituições culturais. Como poeta, destaca-se por suas Elegias, publicadas em 1952. Nessa obra figura também o “Boletim sentimental da guerra do Recife”, um dos seus poemas mais conhecidos. Sua poesia é de fundo simbólico, sobre temas nordestinos, retratando dramas do cotidiano em linguagem natural e espontânea.


(...)
Meninas, tristes meninas,
de mão em mão hoje andais.
Sois autênticas heroínas
da guerra, sem ter rivais.
Lutastes na frente interna
com bravura e destemor.
À vitória aliada destes
o sangue do vosso amor.
Por recônditas feridas,
não ganhastes as medalhas,
terminadas as batalhas
de glórias incompreendidas.
Éreis tão boas pequenas.
Éreis pequenas tão boas!
De várias nuanças morenas,
ó filhas de Pernambuco,
da Paraíba e Alagoas.

(...)

Mauro Mota. Fragmento de Boletim sentimental da guerra do Recife – 1952.


Joaquim Cardozo nasceu em 26 de agosto de 1897. Suas primeiras poesias datam de 1924, entretanto o primeiro livro “Poemas” surgiu apenas em 1947 e por pura insistência dos amigos. Joaquim Cardozo, que tinha uma memória prodigiosa, sabia de todos os seus poemas decorados e não os modivicava, em nenhuma palavra, quando os recitava publicamente. Sua poesia era repleta de imagens do Recife e do Nordeste brasileiro. Foi também tradutor e crítico de arte.

(...)
Aqui no centro isolado
Deste casulo de cinza
Guardo o sopro que me resta,
Ouvindo os surdos gemidos,
As vozes desesperadas,
As palavras proferidas
Pelas bocas soterradas,
Pelos lábios das feridas,
Como a chuva sobre o sono
Dessa eterna madrugada.

Mas a dor de mim reflui
Dor que exprimo e em que me exalto
Sentindo bater nas lajes,
Como em tambores de asfalto,
A marca da multidão;
Sentindo as ondas de ferro,
Sentindo as ondas de assalto
Que vem dos carros de guerra
Até às grades de pedra
Que encerram meu coração.
(...)

Joaquim Cardozo. Fragmento de Os anjos da Paz – 1947.



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