domingo, 29 de janeiro de 2012


"uma pitada de poesia é suficiente para perfumar um século inteiro" (Saramago)

POEMAS DE NATANAEL LIMA JR, CÍCERO MELO, FREDERICO SPENCER E ANTONINO OLIVEIRA JÚNIOR



Solilóquio*
Natanael Lima Jr

              aos Menezes, Antonino, Douglas e Frederico.



a praça está vazia...

e talvez o silêncio  
descreva o que sinto agora
na solidão da madrugada
sem amigo e sem poesia

escuto de minh’alma uma voz silente, fria:
- por que o teu coração amarga descrenças,
tristezas e incertezas?

ah, alma intranquila que és!
à noite segue-se o dia
e o canto que te sorves agora
transforma, acalma e ilumina

talvez o silêncio da praça
descreva o que sinto agora
na solidão da madrugada vazia

novembro/2010

*do livro “À espera do último girassol & outros poemas”



Ponta Verde
Cícero Melo*

Thalassa e mãe, colar de azul e sódio
E cromo das marés em vagas claras.
Diversos sobre os verdes, febre, fólio
E tempo derramado e luz afásica.

Potrancas, nus, de deusas e cavalas;
Declives sublimados, fumo e bócio,
Lábios, leitos e lúcias laceradas
Sob a madeira do mar, imposto e ócio.

Isto é do mar que morto é manteúdo
Dos afagos do corpo não crismado,
Dos brinquedos do sexo e, sobretudo,

Isto é do mar que rosna – um cão danado,
Inubo, pubo, rubo, ludo, tudo
Nas vozes de outro mar recuperado.

*Cícero Melo é poeta e edita os blogs:

http://ciceromelo.blogspot.com
http://geracao80.nafoto.net
http://ciceromelo.zip.net




Código de Barras*
Frederico Spencer


A cidade
não é o cinza, só:
- onde andará o azul das manhãs?
Que perdemos
                                          na multidão:

as esquálidas barras do dia me fascinam
com seus códigos me falam
das vitrines:
                                          - penso:

logo existo nos logaritmos
dos códigos de barras:
                                  o alimento

da minha alma pura
comprando a nova
                                calça jeans

dos desejos que não
                                são meus

andando pelas ruas
não lembro do amor guardado
que prometi, só
                         - os esquálidos

códigos de barra
nos atravessam
e nos esquecemos
nesta multidão:

nessas luzes desta cidade, ocre
pulsamos
com os seus luminosos:
                                  as publicidades

nos falam das pluralidades
que seremos um dia.

*do livro inédito “Código de Barras”.



Sofreguidão
Antonino Oliveira Júnior*


Os minutos pingam
sobre o caminhar lento das horas
e o aguardar angustiante
faz-me oscilar constantemente
entre os intermináveis compassos de espera
e os efêmeros momentos do pulsar acelerado.

A cada sensação nova
tua figura surge viva e imponente
até se esvair
no labirinto dos sonhos
e dos desejos arrebatadores.

O abrir a porta
revela a dor da espera vã
e o vento frio
deixado por tua ausência
chove meu rosto
e inunda meu coração de tristeza.

*Antonino Oliveira Júnior é poeta e membro da Academia Cabense de Letras



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    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima