domingo, 4 de dezembro de 2011


Poesia e Música*

Agenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola, nasceu “carioca da gema”, em 30 de outubro de 1908 e faleceu em 30 de novembro de 1980. Criador da Estação Primeira de Mangueira e foi quem escolheu as cores verde e rosa para a agremiação. Admirado por Villa-Lobos, que o apresentou ao maestro Leopold Stonovisk, na época tido como o melhor do mundo.
O mestre Cartola gostava mesmo era de compor e escrever músicas, extraídas de parcerias com seus amigos boêmios Carlos Cachaça e Elton Medeiros. Viveu e morreu pobre e viveu e morreu alegre e feliz ao seu modo. Depois do seu falecimento foi reconhecido com as gravações de seus poemas musicados por grandes nomes da MPB como Ney Matogrosso, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Fagner, Caetano Veloso, entre outros.

*Pesquisa e texto:  Ronildo Albertim








POEMAS MUSICADOS POR CARTOLA



O mundo é um moinho

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés



As rosas não falam

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão,
Enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim

Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim


Divina dama

Tudo acabado
E o baile encerrado
Atordoado fiquei
Eu dancei com você
Divina dama
Com o coração
Queimando em chama

Fiquei louco
Pasmado por completo
Quando me vi tão perto
De quem tenho amizade
Na febre da dança
Senti tamanha emoção
Devorar-me o coração
Divina dama

Quando eu vi
Que a festa estava encerrada
E não restava mais nada
De felicidade
Vinguei-me nas cordas
Da lira de um trovador
Condenando o teu amor
Tudo acabado




0 comentários:

Postar um comentário

  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima