domingo, 20 de novembro de 2011


Poesia e Música*

Florbela D'Alma da Conceição Espanca, uma poetisa muito à frente do seu tempo, uma mulher com 03 casamentos e um amor exacerbado pelo irmão, suas idéias são expressas em poemas de forma contundente, universal e que faz tremer corações e mexer com as mentes. Versos que deixam medonhos os amores, quando escutados na voz do poeta, cantor e músico Raimundo Fagner. O Domingo com Poesia te dar a chance de "imaginar" se Florbela tivesse encontrado com Fagner em vida... O que sairia daí? O detalhe aqui não cabe. Leia como se estivesse escutando Fagner cantar “Fanatismo, Fumo e Tortura".


*Colaboração Ronildo Albertim, 13/11/2011.


Raimundo Fagner


Fanatismo

Florbela Espanca/Raimundo Fagner (musicado em 1981)
 

Minh' alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver
pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa...”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
 “Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como um deus: Princípio e Fim!...”
 


Fumo

Florbela Espanca/Raimundo Fagner (musicado em 1982)
 

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos.



Tortura

Florbela Espanca/Raimundo Fagner (musicado em1982)
 

Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida verdade, o sentimento!
E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!



2 comentários:

  1. Quer me matar!? Essa é a minha música! Sem palavras... fala tudo que o ser, e atordoado coração expõe em suas letras de sabedoria, e me-causam tamanha emoção, tal que não consigo explicar... Há um mês atrás assistir o show dele aqui em Recife, fiquei como???? O show todo maravilhada, suas músicas são um estímulo para mim, e me fazem acreditar que podemos ser bem aventurados, com músicas de verdade, e que trazem um significado todo especial em nossa vida!!!

    Sandy Carla Moura

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  2. Acho que saíria algo como um poema , um verso e o universo cantado por um poeta popular na feira de caruaru . E escutado nos quatro cantos do mundo!!!

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