sábado, 16 de dezembro de 2000


OLAVO BILAC

(Rio de Janeiro/RJ, 16/12/1865 - Rio de Janeiro/RJ, 28/12/1918)

Poeta parnasiano e jornalista. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a Cadeira nº 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Escreveu a letra do Hino à Bandeira, fez oposição ao governo de Floriano Peixoto. Foi eleito pelos críticos como o príncipe dos poetas brasileiros. Foi a maior liderança e expressão do Parnasianismo no Brasil. Suas poesias revelam uma grande emoção, nada típica dos parnasianos, com certo erotismo, influência marcante da poesia portuguesa dos séculos dezesseis e dezessete. Sua poesia primava por uma correção de linguagem e forma, e a espontaneidade são as suas principais características.

Principais Obras: Antologias poéticas; Através do Brasil; Conferências literárias (1906); Crônicas e novelas (1894); Dicionário de rimas (1813); Poesias (1888).
  

Ouvir estrelas*

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

*Poesias, Via-Láctea, 1888



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