domingo, 31 de dezembro de 2000


JUNQUEIRA FREIRE

(Salvador/BA, 31/12/1832 – Salvador/BA, 24/06/1855)


Poeta da terceira geração do Romantismo. Monge beneditino viveu sua vida entre o religioso e o profano. Suas experiências foram retratadas em suas duas obras poéticas: “Inspirações do Claustro” e “Contradições Poéticas”.  Sua obra lírica divide-se em religiosa, amorosa, filosófica, popular (sertaneja) e alguma poesia social de tom declamatório, precursora de Castro Alves. Patrono da Cadeira nº 25 da Academia Brasileira de Letras. Junqueira foge do Romantismo quando preza pela forma rígida de seus poemas, ainda ligados ao Neoclassicismo.
Principais Obras: Inspirações do claustro (1855); Contradições poéticas.



Soneto

Arda de raiva contra mim a intriga, 
Morra de dor a inveja insaciável;
Destile seu veneno detestável 
A vil calúnia, pérfida inimiga.

Una-se todo, em traiçoeira liga,
Contra mim só, o mundo miserável.
Alimente por mim ódio entranhável
O coração da terra que me abriga.

Sei rir-me da vaidade dos humanos; 
Sei desprezar um nome não preciso; 
Sei insultar uns cálculos insanos.

Durmo feliz sobre o suave riso
De uns lábios de mulher gentis, ufanos;
E o mais que os homens são, desprezo e piso. 



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