sexta-feira, 20 de outubro de 2000


WALDEMAR CORDEIRO

(Sertânia/PE, 20/10/1911 – Recife/PE, 30/10/1992)


Poeta, compositor, professor, músico e teatrólogo. Foi considerado o gênio do lirismo, estreou em 1940 com “Ondas revoltas” e em 1992 foi lançado seu livro definitivo “Salão de Sombras”, o qual não chegou a vê-lo editado, já que fora vítima de um grave acidente de trânsito ao sair do prédio da Prefeitura do Recife, vindo a falecer dias depois, aos 81 anos.


Soneto*

Sempre a espreita-lo a morte que não cansa
veio ceifá-lo às horas matinais
de um domingo de julho. Um céu lilás
está chorando lágrimas de criança.

Farta de heróis, inquebrantável lança,
peito coberto de brasões morais,
combatente de lutas desiguais,
como um crente meu pai enfim descansa.

De meu pai proliferam-se as ramagens
dos filhos que ele fez a sua imagem,
no seu prolongamento tão profundo.

Recebo de meu pai com dignidade
o dom conformativo da humanidade,
a decisão de suportar o mundo.

*In Salão de sombras, 1992, p. 126



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