domingo, 8 de outubro de 2000


CATULO DA PAIXÃO CEARENSE

(São Luís do Maranhão/MA, 08/10/1863 – Rio de Janeiro/RJ, 10/05/1946)

 
Poeta, músico e compositor. Viveu no Rio de Janeiro onde se associou ao livreiro Pedro da Silva Quaresma, proprietário da Livraria do Povo, que passou a editá-lo em folheto de cordel, repertório de modismo da época. Organizou várias coletâneas, entre elas “O cantor fluminense” e o “Cancioneiro popular”. Como compositor as suas principais composições foram: “Luar do sertão (em parceria com João Pernambuco), em 1914, que segundo Pedro Lessa é o hino nacional do sertanejo brasileiro e “Flor amorosa” (em parceria com João Calado), em 1867. Atribuem ao poeta à popularização do violão em salões da sociedade carioca e também da reforma da “modinha”.


Luar do sertão

Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão
Oh que saudade 
Do luar da minha terra 
Lá na serra branquejando 
folhas secas pelo chão
Este luar cá da cidade 
Tão escuro 
Não tem aquela saudade 
Do luar lá do sertão
Não há, oh gente...
Se a lua nasce 
Por detrás da verde mata 
Mais parece um sol de prata 
Prateando a solidão
E a gente pega 
Na viola que ponteia 
E a canção 
É a lua cheia 
A nos nascer do coração
Não há, oh gente...
Coisa mais bela 
Neste mundo não existe 
Do que ouvir-se um galo triste 
No sertão, se faz luar
Parece até que a alma da lua 
É que descanta 
Escondida na garganta 
Desse galo a soluçar
Não há, oh gente...
Ah, quem me dera 
Que eu morresse lá na serra 
Abraçado à minha terra 
E dormindo de uma vez
Ser enterrado 
Numa grota pequenina 
Onde à tarde a sururina 
Chora a sua viuvez

Não há, oh gente...



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