quarta-feira, 13 de setembro de 2000


MÚCIO TEIXEIRA

(Porto Alegre/RS, 13/09/1858 - Rio de Janeiro/RJ, 08/08/1926)


Poeta, escritor, jornalista e diplomata. Formou-se em Medicina na Bélgica. Foi Cônsul do Brasil na Venezuela em 1889, quando da Proclamação da República. Retornando ao Brasil fixa residência na Bahia em 1896, onde se tornou amigo da família de Castro Alves. Em 1901 teceu severas críticas, no Jornal do Brasil, às recém-lançadas “Poesias Completas” de Machado de Assis. Foi tradutor das obras do escritor francês Victor Hugo para a língua portuguesa. É patrono de uma das Cadeiras da Academia Rio-Grandense de Letras e da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Foi considerado um dos mais importantes autores de seu tempo, escrevendo mais de setenta obras, entre ensaios, romances, dramas e biografias.
Principais Obras: Contos do Equador (1881); Pátria Selvagem (1884); Cancioneiro cigano (1885); Festas populares do Brasil (1886); Os ciganos no Brasil (1886); Parnaso brasileiro (1885).


O sonho dos sonhos*

Quanto mais lanço as vistas ao passado,
Mais sinto ter passado distrahido,
Por tanto bem – tão mal comprehendido,
Por tanto mal – tão bem recompensado!…

Em vão relanço o meu olhar cançado
Pelo sombrio espaço percorrido:
Andei tanto – em tão pouco… e já perdido
Vejo tudo o que vi, sem ter olhado!

E assim prosigo, sempre audaz e errante,
Vendo, o que mais procuro, mais distante,
Sem ter nada – de tudo que já tive…

Quanto mais lanço as vistas ao passado,
Mais julgo a vida – o sonho mal sonhado
De quem nem sonha que a sonhar se vive!…

*Foi mantida a ortografia do livro “Sonetos brasileiros – séc. XVII-XX”, de Laudelino Freire, publicado em 1914, no Rio de Janeiro.


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