segunda-feira, 4 de setembro de 2000


MEDEIROS E ALBUQUERQUE

(Recife/PE, 04/09/1867 - Rio de Janeiro/RJ, 09/06/1934)


Poeta, jornalista, professor, contista, político, orador, romancista, teatrólogo, ensaísta e memorialista. Autor da letra do hino da Proclamação da República. Fundador da Cadeira nº 22 da Academia Brasileira de Letras e membro da Academia das Ciências de Lisboa. Foi um dos primeiros poetas a revelar conhecimento da estética simbolista, pois viveu em Paris de 1912 a 1916.

Principais Obras: Pecados (1889); Canções da decadência (1889); Poesias (1893/1901/1904); Contos escolhidos (1907); Em voz alta (1909); O escândalo (1910); O silêncio é de ouro (1912); Marta (1920); Poemas sem versos (1924).


Questão da estética*

Eu assistia à eterna discussão
de uns que querem a Forma e outros a Idéia,
mas a minh'alma, inteiramente alheia
cismava numa íntima visão.

Cismava em ti... Pensava na expressão
do teu lânguido olhar, que em nós ateia
um rasto de volúpia e em cada veia
coa as lavas ardentes da paixão.

Pensava no teu corpo, maravilha
como igual certamente outra não brilha,
e lembrei - argumento capital -

que não tens, animando-te o portento
da imperecível Forma triunfal,
nem um nobre e sublime pensamento!

*Pecados, 1889



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