quarta-feira, 27 de setembro de 2000


JUVENAL GALENO

(Fortaleza/CE, 27/09/1836 – Fortaleza/CE, 07/03/1931)


Poeta, teatrólogo e juiz de direito. Fundou os jornais: O Sempre Viva, primeiro jornal literário do Ceará, destinado ao sexo feminino e o Mocidade Cearense, jornal estudantil. Seu livro de estreia “Prelúdios poéticos”, editado em 1856, foi o primeiro livro de literatura cearense, tornando-se o marco inicial do Romantismo no Ceará. Manteve relações de amizade com Machado de Assis, Saldanha Marinho, Joaquim Manoel de Macêdo, Gonçalves Dias e Quintino Bocaiuva. Faleceu aos 95 anos deixando para o Ceará uma volumosa e rica produção literária - a riqueza de sua biblioteca e a casa onde residem a memória e a tradição da cultura cearense. Sua poesia reflete a psicologia da alma da gente humilde do nordeste: seus sentimentos, os anseios, suas serras, as praias e os sertões ficaram gravados indelevelmente em seus versos.
Principais Obras: Prelúdios poéticos (1856); A machadada; Quem com ferro fere, com ferro será ferido (1861 – Teatro); Lendas e Canções populares (1865).
  

A Jangada

Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?
Tu queres vento de terra,
Ou queres vento do mar?
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Aqui no meio das ondas,
Das verdes ondas do mar,
És como que pensativa,
Duvidosa a bordejar!
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Saudades tens lá das praias,
Queres n’areia encalhar?
Ou no meio do oceano
Apraz-te as ondas sulcar?
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Sobre as vagas, como a garça,
Gosto de ver-te adejar,
Ou qual donzela no prado
Resvalando a meditar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Se a fresca brisa da tarde
A vela vem te oscular,
Estremeces como a noiva
Se vem-lhe o noivo beijar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Quer sossegada na praia,
Quer nos abismos do mar,
Tu és, ó minha jangada,
A virgem do meu sonhar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Sé à liberdade suspiro,
Vens liberdade me dar;
Se fome tenho - ligeira
Me trazes para pescar!
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

A tua vela branquinha
Acabo de borrifar;
Já peixe tenho de sobra,
Vamos à terra aproar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Ai, vamos, que as verdes ondas,
Fagueiras a te embalar,
São falsas nestas alturas
Quais lá na beira do mar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?



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