sábado, 26 de agosto de 2000


JOAQUIM CARDOZO

(Recife/PE, 26/08/1897 – Olinda/PE, 04/11/1978)


Poeta, contista, desenhista, engenheiro civil, tradutor, crítico de arte, professor universitário e editor de revistas especializadas em arte e arquitetura. Começa a escrever a partir de 1924, entretanto seu primeiro livro “Poemas” só foi editado em 1947, por iniciativa do poeta João Cabral de Melo Neto. Tinha uma memória prodigiosa pois sabia decorado todos os seus poemas, conviveu com poetas modernistas como Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Ocupou a Cadeira nº 39 da Academia Pernambucana de Letras. Ao todo, foram publicados onze livros de sua autoria, dos quais se destaca o de estreia “Poemas”, que teve como prefaciador o poeta Carlos Drummond de Andrade. Trabalhou junto com o arquiteto Oscar Niemeyer na construção de Brasília. Foi também autor teatral.
Principais Obras: Poemas (1947); Pequena antologia pernambucana (1948); Signo Estrelado (1960); Coronel de Macambira (1963); De uma noite de festa (1971); Poesias Completas (1971); Os anjos e os demônios de Deus (1973); O capataz de Salema, Antonio Conselheiro, Marechal, boi de carro (1975); O interior da matéria (1976); Um livro aceso e nove canções sombrias (1981, póstumo).
   

Aquarela

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela;
Cheiro de chão que amanhece.
Estavas sob a latada
Quando te abri a janela.

Cheiro de jasmim laranja
Pelos jardins anoitece;
Junto a papoulas dobradas,
Num canteiro florescendo,
A tua saia singela.

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela...

Não sei se és tu, se eras outra,
Não sei se és esta ou aquela,
A que não quis nem me quer,
Fugindo sob a latada
Nessa tarde de aquarela.

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela...



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima