segunda-feira, 28 de agosto de 2000


HERMES FONTES

(Buquim/SE, 28/08/1888 - Rio de janeiro/RJ, 25/12/1930)


Poeta, compositor, jornalista e caricaturista. Colaborou com diversos jornais do Rio e de São Paulo, entre eles: Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia e Correio Paulistano. Foi caricaturista do jornal o Bibliógrafo.  Publicou seu primeiro livro de poesia “Gênese” em 1913. Poeta de estilo simbolista. Considerado pela crítica como um artista completo, que conquistou o grande público e o reconhecimento pleno de sua intensa atividade intelectual. Foi membro da Academia Sergipana de Letras, fundador da Cadeira nº 16, que tem como patrono o poeta Pedro de Calasans. Um aspecto importante da poética de Hermes Fontes, que merece referência especial é o do aproveitamento de poemas seus em composições musicais, como: “Luar de Paquetá” e “A Beira Mar”, em parceria com Freire Pinto, composições que fizeram grande sucesso e foram regravadas por Orlando Silva e Carlos Galhardo. Suicidou-se aos 42 anos no Rio de Janeiro, amargurado e infeliz.
Principais Obras: Gênese (1913); Ciclo da perfeição (1914); Miragem do deserto (1917); Microcosmo (1919); A lâmpada velada (1922); A fonte da mata (1930).


A cigarra
  
Não, orgulhosa! não, alma nobre e vadia,
nunca foste pedir migalha ao formigueiro!
Dessedenta-te o sol e te nutre a alegria
De viver e morrer cantando, o dia inteiro...

Que infâmia ires ao vizinho celeiro
tu, que tens o celeiro universal do Dia,
e preferes morrer queimada em teu braseiro
íntimo a renunciar a tua fantasia!

Não! tu és superior ao código e ao compêndio,
à Economia, ou à Moral. — Aristocrata,
crês que prever miséria é já um vilipêndio.

Primadona pagã do Jardim e da Mata,
trazes dentro em ti mesma, em teu constante incêndio,
a luz, que te alimenta e o fogo, que te mata...



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