sábado, 15 de julho de 2000


HENRIQUETA LISBOA

(Lambari/MG, 15/07/1901 - Belo Horizonte/MG, 09/10/1985)


Poeta, tradutora, ensaísta. Foi organizadora de várias antologias. Primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Mineira de Letras (1963). Foi convidada para integrar o movimento modernista pelo poeta Mário de Andrade em 1945. Foi admirada no meio artístico e intelectual por diversos integrantes da época, entre eles: Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles entre outros. Foi homenageada em 1984, com o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Principais Obras: Velário (1936); Prisioneira da noite (1941); A face lívida (1945 – dedicado a Mário de Andrade); Flor da morte (1949); Madrinha lua (1952); Azul profundo (1955); Nova lírica (1971).



Vem, doce morte

Vem, doce morte. Quando queiras.
Ao crepúsculo, no instante em que as nuvens
desfilam pálidos casulos
e o suspiro das árvores - secreto -
não é senão prenúncio
de um delicado acontecimento.

Quanto queiras. Ao meio-dia, súbito
espetáculo deslumbrante e inédito
de rubros panoramas abertos
ao sol, ao mar, aos montes, às planícies
com celeiros refertos e intocados.

Quando queiras. Presentes as estrelas
ou já esquivas, na madrugada
com pássaros despertos, à hora
em que os campos recolhem as sementes
e os cristais endurecem de frio.

Tenho o corpo tão leve (quando queiras)
que a teu primeiro sopro cederei distraída
como um pensamento cortado
pela visão da lua
em que acaso - mais alto - refloresça.



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