sexta-feira, 7 de julho de 2000


ARTHUR DE AZEVEDO

(São Luís/MA, 07/07/1855 – Rio de Janeiro/RJ, 22/10/1908)


 Poeta, dramaturgo, contista e jornalista, foi ao lado do irmão Aluísio de Azevedo, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde criou a Cadeira nº 29, que tem como patrono Martins Pena. Foi um dos representantes do Parnasianismo, tendo convivido com poetas como Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira. Era um poeta lírico, sentimental, seus sonetos estão ligados à tradição amorosa dos sonetos brasileiros. Escrevendo para o teatro, alcançou enorme sucesso com as peças “Véspera de Reis” e “A Capital Federal”. Fundou a revista “Vida Moderna”, onde suas crônicas eram muito populares. Sua atividade jornalística foi intensa, devendo-se a ele a publicação de uma série de revistas especializadas, além da fundação de alguns jornais cariocas.
Principais obras: Carapuças (1871); Sonetos (1876); Contos em versos (1898); Rimas (1909).

Eterna dor

Já te esqueceram todos neste mundo. . .
Só eu, meu doce amor, só eu me lembro,
Daquela escura noite de setembro
Em que da cova te deixei no fundo.

Desde esse dia um látego iracundo
Açoitando-me está, membro por membro.
Por isso que de ti não me deslembro,
Nem com outra te meço ou te confundo.

Quando, entre os brancos mausoléus, perdido,
Vou chorar minha acerba desventura,
Eu tenho a sensação de haver morrido!

E até, meu doce amor, se me afigura,
Ao beijar o teu túmulo esquecido,
Que beijo a minha própria sepultura! 



0 comentários:

Postar um comentário

  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima