sexta-feira, 23 de junho de 2000


MARTINS FONTES

(Santos/SP, 23/06/1884 – Santos/SP, 25/06/1937)


Poeta e médico. É considerado o melhor poeta de sua geração na lusofonia e um dos dez melhores na língua portuguesa, entre nomes como Camões, Bocage, António Nobre, Guerra Junqueiro, Fernando Pessoa, Castro Alves, Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira. Começou a escrever aos oito anos de idade no jornalzinho de nome A Metralha, mostrando-se como uma revelação. Fundou com Olavo Bilac uma agência publicitária para serviços de propaganda dos produtos brasileiros na Europa e em outros países. Em 1924 tornou-se correspondente e titular da Academia das Ciências de Lisboa, colaborou com vários jornais da época, entre eles A Gazeta e o Diário Popular em São Paulo, além de inúmeros periódicos do Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras. Sua obra é bastante extensa, chegando a 59 títulos publicados em poesia e prosa. É patrono da Cadeira nº 26 da Academia Paulista de Letras.
Principais Obras: Verão (1901); Arlequinada (1922); Marabá (1922); Volúpia (1925); Vulcão (1926); Escarlate (1928); A flauta encantada (1928); Sombra, silêncio e sonho (1933); Guanabara (1936).
  
Orfeu*

Na Trácia antiga, à margem da corrente
Do Hebro à sombra dos plátanos, outrora,
Orfeu, na adolescência, à luz da aurora,
Flébil, feria a cítara fremente.

E à sua voz, que as cousas enamora,
toda a selva acordava, de repente ...
— E, apaixonada, a música dolente
Ia por vales e rechãs afora.

Vinham ouvi-lo, dos sombrais furtivos,
As amorosas Mênadas em bando
E os semicapros Egipãs lascivos.

— E a Grécia heróica palpitava, quando
Se escutavam os mitos, redivivos,
Nos hexâmetros órficos cantando!


*Verão (1917)



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