segunda-feira, 5 de junho de 2000


CLÁUDIO MANOEL DA COSTA

(Mariana/MG, 05/06/1729 – Ouro Preto/MG, 04/07/1789)
  

Pertenceu às escolas do Arcadismo e Neoclassicismo. Seus sonetos herdaram a tradição de Camões. Graduou-se em Direito Canônico na Universidade de Coimbra (Portugal). Seu livro de poesias Obras, 1778, foi considerado o marco inicial do Arcadismo no Brasil. Foi integrante da Inconfidência Mineira, sendo preso e morto na prisão. Cultivou a poesia pastoral, bucólica, de influência Neoclássica, que segundo estudiosos observa-se uma consciência nacional.
Principais obras: Culto métrico (1749); Minúsculo métrico (1751); Epicédio (1753); O parnaso obsequioso (1768); Vila Rica (1773); Poemas manuscritos (1779).
  
Soneto

Dêstes penhascos fêz a natureza
O berço em que nasci! oh: quem cuidara!
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigres, por emprêsa
Tomou logo render-me; êle declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano;

Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.



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