sábado, 13 de maio de 2000


RAIMUNDO CORREIA

(São Luiz/MA, 13/05/1859 - Paris, 13/09/1911)


Poeta, diplomata, professor e magistrado. Pertenceu ao Parnasianismo. Iniciou sua produção literária com o livro “Primeiros Sonhos” (1879), revelando forte influência dos poetas românticos Fagundes Varela, Casimiro de Abreu e Castro Alves. Em 1883 com o livro “Sinfonias”, assume o Parnasianismo e passa a integrar, ao lado de Alberto de Oliveira e Olavo Bilac, a chamada “Tríade Parnasiana”. Os temas abordados por ele tratam da perfeição formal dos objetos, sua poética se diferencia dos demais parnasianos, pois é marcada por um forte pessimismo, chegando a ser sombria. Em alguns dos seus poemas aproximam-se da escola simbolista. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a Cadeira nº 05, que tem como patrono Bernardo Guimarães.
Principais Obras: Primeiros sonhos (1879); Sinfonias (1883); Versos e versões (1887); Aleluias (1891); Poesias (1898).



As Pombas

Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas, vão-se dos pombais, apenas
Raia, sanguínea e fresca, a madrugada...

E, à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo, elas serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações, onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais:

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles ao coração não voltam mais.



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