domingo, 2 de abril de 2000


PAULO GONÇALVES

(Santos/SP, 02/04/1897 - Santos/SP, 08/04/1927)


Poeta e dramaturgo. Exerceu a função de jornalista em diversos periódicos em São Paulo e Santos. Foi autor de peças teatrais do período simbolista. Sua produção na dramaturgia inclui as peças em versos: “Núpcias de D. João Tenório”, “Quando as fogueiras se apagão” e “O Juramento” (1830), em prosa “As Noivas”, “As mulheres não querem almas” e “A comédia do coração”. Foi um poeta de rara sensibilidade cuja obra só não é mais extensa dada sua morte prematura, foi conhecido como o poeta do coração. Sua única obra poética publicada foi “Yara”, coletânea de poemas editada em 1922.


Encantamento

Mal a aurora tingiu de púrpura o levante,
e afogou em orvalho as flores nos canteiros,
a princesa saiu do seu castelo, 
diante da guarda fiel dos seus lanceiros.
.
Eis que suregem, porém, numa curva de estrada,
as bruxas! Infernais, diabólicas, ferozes,
elas, saltarelhando, armavam na cilada
originais metamorfoses.
.
Mas, ao poder do amor se realiza um milagre!
Por uma fada sempre há de ser protegida
a vida que, na terra, em voto, se consagre
inteiramente a uma outra vida.
.
E antes que a exaltação da essência venenosa
a fizesse tombar, inanimada, e fria,
a princesa tomou a forma de uma rosa,
a única flor que não havia.
.
E evitando que as feiticeiras, de surpresa,
a pudessem poluir com hálitos daninhos,
os lanceiros então cercaram-na em defesa
e transformaram-se em espinhos.



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