terça-feira, 1 de fevereiro de 2000


WALDEMAR LOPES

(Quipapá/PE, 01/02/1911 – Recife/PE, 21/10/2006)


Poeta, jornalista e administrador. Foi membro da Academia Pernambucana de Letras, da Associação de Imprensa de Pernambuco, da Academia Brasiliense de Letras, do Clube de Poesia de Brasília, onde foi presidente e sócio da UBE- PE.  Trabalhou no Jornal do Commercio (PE) e A Noite do Rio de Janeiro. Foi representante no Brasil da OEA (1954/1976). Criou em sua residência no Rio de Janeiro encontros informais de literatura, o qual ficou conhecido como “Sabalopes”, os quais persistiram até sua morte. Segundo o poeta Carlos Drummond de Andrade, sua obra é considerada "ouro de palavras, raro e nobre lavor. Com que arte recolocou o soneto em sua antiga dignidade!" Na opinião de Giberto Freyre, ele representa um "sonetista dos maiores deste país."
Principais Obras: Legenda (1929); Sonetos do tempo perdido (1971); Os pássaros da noite (1974); Sonetos da despedida (1976); Sonetos do Natal (1977); Elegia a Joaquim Cardozo (1979); Bandeira – Estrela permanente no solo de Pasárgada (1996)
As dádivas do crepúsculo (1996); Sombras da tarde (1999); Cinza de estrelas (2001).


Soneto da esperança

Tempo de azul e não. Desencantado
reino do que não foi, mundo postiço,
ontem feito de agora, hoje passado:
na essência do não-ser o instante omisso. 

(Margaridas da tarde, onde o seu viço?
Choro de água nos ares, lento e alado
caminho cor de sonhos? Insubmisso
mar sem datas, desfeito e recriado? 

Suaves rechãs por onde a mão do vento
esculpia no verde a sombra exata
e as imagens que o olhar já não alcança.

Aventuras tão-só do pensamento:
arco de azul, a tarde era a fragata
supérflua, para o exílio da esperança.)



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima