terça-feira, 1 de fevereiro de 2000


BITTENCOURT SAMPAIO

(Laranjeiras/SE, 01/02/1834 – Rio de Janeiro/RJ, 10/10/1895)


Poeta, advogado, jornalista e político. Iniciou o curso de Direito no Recife, concluindo o curso na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em São Paulo. Homem público de grande projeção no segundo reinado, foi Presidente da então Província do Espírito Santo e Diretor da Biblioteca Nacional. Autor de diversas obras em prosa e versos, considerado como o primeiro dos autores líricos brasileiros, logo depois de Gonçalves Dias. Entre suas obras destaca-se: A Divina Epopeia de João Evangelista, trata-se de uma reprodução do Evangelho de João em versos decassílabos.
Principais obras: Harmonias brasileiras (1859); Flores silvestres (1860); Poemas da escravidão (1884).
  

A flor e a brisa

Linda flor que na floresta
Vivia triste a cismar,
Fez-lhe um dia a brisa festa,
E pôs-se a flor a corar.

- “Que sentes, linda florzinha,
Perguntou-lhe a brisa então,
Dói-te o viver tão sozinha
Nesta  erma solidão?”

- “Meiga brisa, mais corada
Respondeu-lhe a flor assim,
Eu vivo aqui desprezada,
Ninguém se lembra de mim!”

- “Pois virei, flor de esperança,
falar-te de amor e Deus:
Mas dar-me-ás por lembrança
Num beijo os perfumes teus.”

E foi-se lá na floresta,
Deixando a triste a cismar:
E nunca mais fez-lhe festa,

Que a flor se pôs a murchar!



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    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima