terça-feira, 1 de fevereiro de 2000


ALVARENGA PEIXOTO

(Rio de Janeiro/RJ, 01/02/1744 – Ambaca (Angola), 27/08/1792)


Poeta do Arcadismo. Foi advogado, estudou na Universidade de Coimbra (Portugal). Foi detido e julgado por participar da Inconfidência Mineira, tendo sido condenado ao degredo perpétuo em Angola. De sua obra restam apenas alguns sonetos e uma pequena obra laudatória, o drama épico “Enéas no Lácio”, hoje desaparecido. Suas composições que existem foram reunidas em “Obras poéticas” (1895) por Joaquim Norberto, e reproduzidas por Péricles Eugênio da Silva Ramos na antologia, “Poesia do Ouro” em 1964. A temática amorosa foi uma das vertentes da sua poesia, em que também se observa uma postura crítica quanto à sociedade da época. À Dona Bárbara Heliodora, poema dedicado à sua esposa, remetido do cárcere na Ilha das Cobras.


De açucenas e rosas misturadas

De açucenas e rosas misturadas 
não se adornam as vossas faces belas,
nem as formosas tranças são daquelas
que dos raios do sol foram forjadas.

As meninas dos olhos delicadas,
verde, preto ou azul não brilha nelas;
mas o autor soberano das estrelas
nenhumas fez a elas comparadas.

Ah, Jônia, as açucenas e as rosas,
a cor dos olhos e as tranças d'oiro
podem fazer mil Ninfas melindrosas;

Porém quanto é caduco esse tesoiro:
vós, sobre a sorte toda das formosas,
inda ostentais na sábia frente o loiro! 



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