segunda-feira, 24 de janeiro de 2000


FRANCISCA IZIDORA GONÇALVES DA ROCHA

(Jaboatão/PE, 24/01/1855 – Vitória de Santo Antão/PE, 22/01/1918)


Poeta, jornalista, cronista, tradutora, escritora e conferencista. Integrou a “Officina Litterária Martins Junior”, do Grêmio Jaboatonense Seis de Março.  Colaborou com os jornais recifenses: Diario de Pernambuco (1901), Correio Pernambucano (1868) e A Província e dos periódicos: O Phanal e o Commercio, ambos do interior do Estado. Em 1902 colaborou também com a revista “O Lyrio”, dedicada às questões femininas. Foi sócia correspondente da Academia Pernambucana de Letras. Ao lado de outras combativas e atuantes, tais como Edwiges de Sá Pereira, Leonor Porto e Maria Amélia de Queirós, lutou em prol dos direitos das mulheres. É autora de um drama lírico em três atos e de duas traduções de Byron (inéditos), assim como outras diversas produções em prosa e verso. Consta no livro: Pernambuco, Terra da Poesia (Campos e Cordeiro, 2010, p. 586), que autora publicou um livro de versos, “Açucenas” e um volume de textos em prosa, “Distrações e Lembranças”. Foi tradutora de vários autores. Publicou também “Ursula Garcia” (1905).
  

Ilha de coral*

Lá nas plagas de flores e harmonias
No seio azul da Polinésia linda,
Aonde as auras embalando os sândalos
Sacodem ramos de fragrância infinda...

Onde as palmeiras no cetim das nuvens
Entrelaçam gentis frondes rendadas,
E à laranjeira os rouxinóis se aninham
Cantando idílios nas manhãs douradas.

Num quadro belo sobre o mar pacífico,
Como a gaivota em transparente lago,
A ilha de Otaiti surge graciosa
Sorrindo às vagas no amoroso afago...

- Vênus formada num frouxel d’espumas
Da luz d’aurora em em divinais fulgores...
Orna-lhe o cinto de corais e pérolas...
No colo airoso desabrocham flores!...

Lá onde a natureza é um poema
E os céus estrofes cintilantes d’oiro...
Um dia Eles chegaram com as aves,
Que voam ledas para um fruto loiro...

No declívio relvoso da floresta,
Entre murtas, ao pé da cachoeira,
Teceram de aloés uma cabana
Enastrada com folhas de amoeira.

À sombra dos bambus passava arinda
No róseo lábio narguilé cheiroso...
E entre as rendas da saia se mostrava
Indiscreto e faceiro o pé mimoso...

Soltas as tranças perfumando a brisa,
E o peito em ondas d’infantil prazer,
Como a gazela do deserto Assírio
Inocente e gazil sempre a correr...

Depois cansada, vacilante, trêmula,
- Borboleta de amor – mole, indolente
Ia de amante descansar nos braços,
Bem como a estrela no sendal d’Oriente!

Que floridas canções pela espessura
Entre risos e amor cingindo a vida!
Como era belo o pensativo poeta...
- Novo Rinaldo nos jardins de Armida!

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De tarde, nas canoas d’insulares,
Com bandeiras de juncos e plumagens,
Corriam sobre as ondas do oceano
Às vezes a pescar como os selvagens.

Que transportes de amor em doce enlevo!
Que cena bela de risonhas cores!
Eram dois gênios que passavam rindo...
- na quadra festival mais dois cantores!

*In Pernambucanas ilustres, 1879, p. 180-181



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