domingo, 17 de abril de 2016


A POESIA DE MARCELO MÁRIO DE MELO*



Foto: Marcelo Mário de Melo –
escreve histórias infantis,
mini-contos e textos de humor




TRÊS POEMAS DE MARCELO MÁRIO DE MELO




DESVIO DE FUNÇÃO

Cupido virou coveiro
em um domingo cinzento
arco e flechas quebrados
asas jogadas ao vento
em lugar de lira e canto
pedra cal cova e cimento.

É o Reino de Tanatos
desvãos da desalegria
Eros na tumba cremado
vampiros fazendo orgia
ossuarios de amor
corvo anunciando o dia.


VANGUARDA DESPOJADA

Nenhum poder supremo sobre a terra
somente se aceitando
supremacias reversíveis
no dia-a-dia.

Nada de Salvador da Pátria
Patrono da Justiça
& Pai dos Pobres
de anel no dedo
macacão de fábrica
enxada ao ombro
livro sagrado
ou fuzil na mão.

Nada de vanguarda entronizada
autointitulada
do empresariado
do proletariado
mas que a vanguarda se exerça
na plantação
e se desfaça
na colheita
cama desfeita
apontando leitos livres.

Se nada que é humano é perfeito
que tenha o povo
o elementar direito
do ensaio e erro
atento ao canto
dos seus galos na cabeça.

Que a vanguarda cumpra o seu ofício
como quem ensina o alfabeto
e se afasta
pois sem vanguarda
ninguém aprende a ler
e com vanguarda intrometida
ninguém escolhe livre
os seus livros
nem conta escreve e segue
a própria história.



CONTRA O IMPEACHMENT

Golpe somente de vista
golpe somente de sorte.
Impeachment é retrocesso
democraticida morte.



*Marcelo Mário de Melo é jornalista, poeta e contista



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