domingo, 20 de dezembro de 2015


VENCEDORES DO V CONCURSO DE POESIA DO SESC PIEDADE







1º LUGAR

Ítalo Dantas de Góes Cavalcanti
Poema: Visão Noturna

Entre o manto de Tânatos e os braços
de Eros, negros orbes vagueiam
postos à noite. Caem aos espaços
infinitos – à lua cambaleiam.

Meus olhos erguem-se ao espetáculo
divino. O hermetismo de toda era,
uma gota de luz rasgando a esfera,
hemisfério de um mesmo receptáculo.

Sobre a grama, embalado contra o vento
frio. Deixar-se levar na imensidão
em percorrer o céu negro e irrestrito.

Ser, verdadeiramente, como são
as estrelas, e por um só momento,
sentir que o corpo é o mantra do infinito.



2º LUGAR

Felippe Luís Maciel da Silva
Poema: Hora Sagrada

Havia quatro celulares na mesa,
manipulando as quatro garotas
que esperavam o almoço no Bar do Biu.
Elas pediram: sarapatel e chambaril,
E repousaram suas bocas.
Enquanto batiam os dedos em teclas,
nenhuma parecia estar com as outras.

Com quem estaria almoçando
do outro lado da linha?
Com quem conversava a menina,
que tomava coca cola?
E as morenas que bebiam cerveja?
Elas sorriam sincronizadamente,
como se entre si conversassem virtualmente,
enquanto dividiam a mesma mesa.

Vocês precisavam ver a outra,
a dos olhos miudinhos.
Ela teclava com a mesma habilidade
com que os japas mexem os pauzinhos
pra comer risoto.

Falava com alguém, do outro lado do mundo,
um assunto que não podia esperar?
Conversaria pessoalmente,
se estivessem no mesmo bar?

[Não quero nem pensar que seja tudo facebook]

Eu sei que comi um prato de fava, farofa e vinagrete
e ainda escrevi esse texto.
E elas somavam seus silêncios,
em aparelhos concentradas.
Não sei se em função de novos tempos
ou porque refeição é uma hora sagrada.



3º LUGAR

Cássio Henrique Tavares Bezerra
Poema: Solar

Vejo as ruas vermelhas,
barulhentas,
agoniadas.
Da lentidão dos carros a força dos
ônibus,
de todo o nosso stress sob e sobre a
pele:
o cheiro de suor do metrô,

o prato,

a cama.

Isso nos move,
nos movemos assim.
Semblante de pressa,

preocupação,

vazio.

Nas paradas e estações me vejo em
outros rostos,
nessas tantas expressões, nessas tantas
vontades.

Gritar,

chorar,

correr,

SAIR.

Impacientemente nossos passos fazem
essa estrada sem rumo,

apressada,

não governada por nós,
e levamos assim,
vivendo sem pensar, pensando em
viver.
Televisão,
internet,
vaidade.

Meios...

meios sorrisos de meia boca,

meios sentimentos,

meias vaidades.

A alma seca é levada, embriagada,
pela esmola da carne sufocada,

presa,


nesse corpo de compromissos. 



3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Sem dúvida, os três poetas vencedores tem talento. Parabéns ao Sesc por esse belo concurso de poesia e também aos editores do DCP por essa divulgação.

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  3. Belos poemas, merecedores da premiação. Parabéns ao SESC pela a iniciativa.

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  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima