domingo, 6 de setembro de 2015


AS ENTRELINHAS DE ANITA

Por Frederico Spencer*



Capa divulgação




Diane Cafero, médica recifense, atualmente residindo no interior de Rondônia lança seu primeiro romance: Quem é Anita, Editora Multifoco (RJ) e já apresenta uma trama envolvente onde o leitor é levado a uma viagem no tempo pela vida de um jovem arquiteto que, mesmo sendo bem sucedido em sua carreira não se sente à vontade pelos descaminhos que sua vida pessoal tomou até chegar aqueles 34 anos, ponto de partida do livro onde o protagonista começa a fazer uma retrospectiva a partir de um encontro amoroso, que terminou não acontecendo e que este poderia ter mudado sua vida.

Wellington, personagem central do romance conta uma história corriqueira em nossos dias - a dos encontros virtuais - como tantas outras pescadas nas ondas da web, através dos chats onde tudo pode acontecer, onde não temos como calcular o que é verdade e aquilo que é só ilusão.

Na vida entrelaçada das redes sociais acelerada pela solidão dos dias atuais, onde o click do mouse nos remete ao ápice de nossas vontades, construímos imagens e conceitos fluídicos de um mundo em constante mudança onde rapidamente muda-se de página, dependendo da contextualização do instante da tecla do computador.

É neste mundo de desenganos e de sonhos que se construiu o caminhar de uma vida plástica onde se desenvolve a trama do romance - a de um homem atormentado por não ter seguido seu coração e não ter vivido aquilo que lhe era próprio. Acordado pela data do seu aniversário de 34 anos, Wellington se põe a contabilizar o deve e o haver de sua vida e, vê que no encontro dessas contas a sobra é um vazio existencial que o remete ao passado, onde acha que tudo poderia ter acontecido de maneira diferente.

Uma viagem no mundo transfigurado de Wellington é o convite que a autora nos faz para juntos, buscarmos a real identidade da amiga virtual de nome Anita, porém a faz com muitas ressalvas: “Desde já informo que não será tarefa fácil. Os preconceitos e interpretações óbvias só irão atrapalhar. Provavelmente você, caro leitor, acredita que tem autonomia sobre os pensamentos. Que consegue deixar os preconceitos de lado quando lhe convém, certo? Temo que Anita prove que você faz exatamente o contrário, boa sorte!”.

Sobretudo, o livro nos leva ao questionamento de nossa identidade real para fora dos padrões sociais, onde há o embotamento das vontades individuais em nome do convívio social.

A teoria psicanalítica explica a relação do ser com o mundo exterior como sendo um “plano ficcional”, pois, o ser que se apresenta na interação social não é o ser da realidade interior. Na relação com o mundo exterior o Id (Impulsos e libido) é mediado pelo Superego da estrutura social (papéis e regras de comportamento) onde a individualidade por um fio balança, sem indicar caminhos de mão única. Essa dualidade está posta no livro, nessa busca de Anita, dentro de cada um de nós sem medo e sem preconceitos. Muitas vezes somos Wellington, outras tantas Anita. Monte este quebra-cabeça, boa leitura, boa viagem.



*Frederico Spencer é editor do Domingo com Poesia, membro da Academia de Letras do Jaboatão dos Guararapes.



3 comentários:

  1. Muito obrigada pela linda matéria. Parabéns pelo trabalho. Simplesmente sensacional... Grande abraço.

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    1. Obg por sua visita Diane Cafero. Volte sempre!

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    2. Obrigado pela visita, seu livro foi o responsável pela matéria. Abraço. Fique a vontade conosco.

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  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima