domingo, 25 de maio de 2014


Ao pé da letra

por Frederico Spencer*











Img: Reprodução




Vários escritores se dedicam a escrever sobre futebol. Alguns até surgiram no cenário literário vindos das colunas dos jornais onde faziam comentários futebolísticos, como é o caso do escritor pernambucano Nélson Rodrigues.

Às vésperas de uma copa do mundo, um grande número de escritores se entrega ao deleite de discutir o vai e vem da bola - fruto das paixões da meninice, onde a gorduchinha escravizou a todos pelo resto de suas vidas, como também, as vinculações do futebol com a máquina estatal.

É comum o fato de se fazer esta aproximação letárgica onde se misturam a magia do futebol e a posse deste como meio de promoção e/ou como pano de fundo para as articulações políticas de ditaduras e também de democracias para o encobrimento de ações de corrupção. A politização deste evento é, sem sombra de dúvida, o resto do caldo que sobra no prato degustado por todos.

Nesta panela se misturam: a paixão do torcedor, os resultados dos jogos, o desempenho dos atletas, a mãe do juiz, os interesses de uma tecnocracia profissional e também a manipulação política do evento, onde a autoestima do povo é alimentada através da quantidade de gols sofrida pelo time contrário. Um caso clássico difundido em todo o país foi a copa do mundo dos anos 70, disputada no México, onde a ditadura militar cobrou dos jogadores a vitória final.

Posto em campo a autoestima de torcedores vinculada às vitórias do time do coração - transferência psicológica da capacidade de luta particular na vida. As apropriações destas aspirações como meio de ganho de capital e também da subtração da satisfação de um povo como forma de manutenção das estruturas políticas e sociais - a literatura, enquanto observatório dos movimentos de uma sociedade, não poderia ficar de fora deste tapetão onde pés e mãos jogam o mesmo jogo.

*Frederico Spencer é poeta, sociólogo e psicopedagogo



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima