domingo, 15 de dezembro de 2013


Poemas da Semana

Poemas de Alberto Amaral, Jade Dantas, Ivan Marinho, Aldemir dos Reis de Carvalho e Theo Silva


O cobrador
Alberto Amaral












Img: Reprodução

Sem a paga
só a cana
afaga
só o cano
apaga

Na mão esquerda
a cana
Na mão esperta
o cano

A cana rola
goela adentro
O cano rola
morte afora

A cana esquenta
O cano é fria
A cana esfria
O cano esquenta

Sem a paga
só  a cana
afaga
só o cano
apaga.



Febre
Jade Dantas

   Img: Reprodução

que me venhas por uma noite ao menos
que me venhas

me sussurrar do teu desejo insone
traz-me tua voz ardente em fome e febre

me aquece no teu corpo que me basta
me aquece

para dar sentido à minha insônia
onde teus lábios inspirados e perdidos

segredarão de encantamentos esquecidos
pela noite de vertigens e delírios



Tempo de perda*
Ivan Marinho











Img: Reprodução

Chega o tempo
que é perda de tempo
perguntar ao mar
das ondas, das cores e
dos mistérios,
aos pássaros do voo
do canto,
às árvores, dos frutos
e ao homem, do amor.

*do livro “Anti-horário”, 2000



Mar de sentimentos*
Aldemir dos Reis de Carvalho











Img: Reprodução

Diante de olhos molhados de mar
Vejo reflexos de raio difuso.
E eternizando em ti meu olhar
O velado frio, vazio e confuso.

Quem é que guardo bem dentro aqui?
Em peito ferido por flecha e arco.
És o instante que espera por vir.
És o cais: minha alma; um barco.

Mareado olhar que lanço a ti
Desvenda caminho não dantes trilhado.
Ou és a vertente que ora ausente
Expões o meu ser exacerbado.

Vagas profundas de gotas de sal.
Escondes do mundo que no fundo és,
O ancoradouro da vida afinal.
Minha alma aqui jogada aos teus pés.

*poema classificado em 1º lugar no IV Concurso de Poesia do Sesc Piedade, 2013.



Revoltado*
Theo Silva












Img: Prometeu acorrentado

Olhando a vida, indiferente a tudo,
eu vou viver d’agora por diante;
como um Cipreste solitário e mudo
à margem de um riacho soluçante.

Como um grito perdido, bem distante,
perdido na amplidão do mundo afora,
eu quero ser de tudo ignorante,
e em nada mais acreditar agora.

Viver assim com toda indiferença,
com um pálido sorriso de descrença
para quem me falar em piedade.

Pois se a vitória da vida é o desdém,
esse punhal eu saberei também
cravar no coração da humanidade.

1941

*poema extraído do livro “Coleção Memória de Autores Cabenses”, organizado pela Academia Cabense de Letras, 2013.



11 comentários:

  1. Maravilha. Está maravilhoso como é em todos os domingos. E fiquei feliz de encontrar aqui o meu poema. Beijos e obrigada
    Jade Dantas

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    1. Olá Jade, agradecemos suas palavras de apoio pra gente. parabéns pelo seu poema.

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    2. Jade, obrigado pelo comentário, é uma prova que estamos no caminho certo, obrigado também pelo poema.

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    3. Parabéns pelo seu poema e como reconhecimento lhe apresento
      Perpetuação
      Negreiros Neto, Itaquitinga/PE2013


      Em nossa varanda
      De pernas bambas

      Gozamos os prazeres
      Dessa vida vadia

      De dia excitamos o Sol
      De noite é a Lua que se excita

      Houve um eclipse
      E ambos nos imitam

      De seu corpo uma explosão
      Que faz a nuclear parecer festim de São João

      A nebulosa é uma simples escuridão
      Raios e espermas se fundem na contra mão

      Ela engravida
      A Lua fica cheia

      Nascem meninos astros
      Belas meninas estrelas

      Perpetuando a criação
      Da divina mãe natureza

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  2. INDECOROSA COLAGEM DE POETAS MAIORES

    “Que me venhas por uma noite ao menos”
    “Como um Cipreste solitário e mudo
    à margem de um riacho soluçante”
    E “olhos molhados de mar”

    “Chega o tempo que é perda de tempo
    perguntar ao homem, do amor”.

    “Na mão esquerda
    a cana
    Na mão esperta
    o cano”

    “A vitória da vida é o desdém,
    Esse punhal eu saberei também
    cravar no coração da humanidade”.


    Parabéns ao Domingo com Poesia.

    Abraços,
    Adriano Marcena

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    1. Grande Marcena, muito legal a sua "indecorosa colagem de poetas maiores". Abç!!!

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    2. Marcena, falta o que você fazer a mais: poesia, conto, além de suas escriturações históricas e dramatúrgicas. Valeu, obrigado pelo presente.

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  3. muito bom! Poetas e poetisas.

    Ler nesse mar de letras
    O caos e harmonia
    Sobre as pilastras
    Domingo com poesia

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    1. Agradecemos muito Lucas a sua visita e comentário. Um ótimo e iluminado Natal!

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  4. Parabéns ao espaço da poesia, aos poemas e poetas (poetisas) que enriqueceram o site! Alberto, poema curto, certeiro, como gole seco, tiro à queima-roupa!

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  5. Obrigado Neilton Lima. Agradecemos muito sua visita e comentário. Volte sempre!

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