domingo, 31 de março de 2013


Literatura e Tecnologia da Informação

por Frederico Spencer*











Imagem: Reprodução


Três livros que tratam do assunto sobre a tecnologia da informação mexeram com o mercado editorial na época dos seus lançamentos: Admirável Mundo Novo de Aldoux Huxley (1931), 1984 de George Orwell (1949) e A Terceira Onda de Alvin Toffler (1980). Esses três livros tratavam sobre as questões do uso da tecnologia da informação, como forma de manipulação política e/ou pressão econômica, exercidas por governos totalitários ou por fortes grupos econômicos, como meio de perpetuação de poder.



O livro Admirável Mundo Novo, romance ambientado na Londres do ano de 2540 dC, tratava sobre questões que se tornaram contemporâneas do século 20: tecnologia da reprodução; manipulação psicológica e condicionamento operante - procedimento através do qual é modelada uma resposta no organismo através do reforço (qualquer semelhança com os tempos atuais é mera especulação).






No livro 1984, George Orwell narra o romance ambientado num lugarejo chamado Oceania, onde a vida das pessoas era vigiada 24 horas pelo grande irmão, que traz a história de amor vivida por Winston Smith, amor este proibido pelas normas do Partido por pertencerem a castas diferentes. Winston trabalha no Ministério da Verdade e tem como função reescrever antigos artigos publicados nos jornais, manipulando seus conteúdos em prol do Partido. Ele é um trabalhador dedicado e eficiente, mas sonha e trama secretamente como se rebelar contra o Big-Brother (olha a globo ai, gente).



Alvin Toffler publicou em 1980 o livro A Terceira Onda. Trata-se de um ensaio que mostrava como deveria ser a sociedade pós-moderna do século 21. Livro visionário que narra as etapas da evolução econômica do homem moderno, sendo a primeira agrícola, a segunda industrial e a terceira denominada como a era da informação, onde mente, informação e alta tecnologia são os tipos de capitais essenciais para o sucesso das corporações num mundo de alta competitividade.



Tais publicações mostram que a preocupação com a tecnologia da informação e a manipulação desta por grupos, sejam econômicos ou políticos, já se faziam presentes nas mentes de escritores visionários que anteviam a possibilidade de construção de sociedades, onde os homens seriam vítimas de governos totalitários, onde a liberdade de expressão estaria suprimida em prol de ideologias de pequenos grupos.

Atualmente vemos, minuto a minuto, as revoluções propulsionadas pelas inovações na área da tecnologia da informação. A rapidez da internet nos traz um mundo de informações instantâneas, que a cada instante se multiplica no clicar do mouse.

Esta multiplicidade transforma os conceitos que temos da realidade rapidamente, transformando o mundo e os relacionamentos em produtos descartáveis. Nada perdura às inúmeras possibilidades que temos em frente às telas dos computadores. Freneticamente nos tornamos frágeis perante a rapidez das demandas do mundo moderno.

A literatura, neste momento, deve desempenhar um papel de mediador entre permanência e dissolvência da humanidade do homem moderno; seja por um papel mais ativo daqueles que fazem literatura, indo em busca de adequação de suas obras para um mercado virtual, nervoso e altamente competitivo; seja por um encontro com o novo leitor, viciado pela tela do computador.


*Frederico Spencer é poeta, sociólogo e psicopedagogo







MARÇO, UM MÊS QUE LEMBRA POESIA:
PATATIVA DO ASSARÉ, BASTOS TIGRE, CASTRO ALVES, GILBERTO FREYRE, MENOTTI DEL PICCHIA, OLEGÁRIO MARIANO, LULA CÔRTES E NATIVIDADE SALDANHA




O peixe
Patativa do Assaré*










Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.

Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a inconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.

O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.

Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!


*Patativa do Assaré (CE)
 05/03/1909 – 08/07/2002




As duas flores
Castro Alves*











São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu…
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bom como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar…
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas… Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rodas da vida,
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!


*Castro Alves (BA)
14/03/1847 – 06/07/1871




Beleza
Menotti Del Picchia*









A beleza das coisas te devasta
como o sol que fascina mas te cega.
Delas contundo a luminosa entrega
nunca se dá, melhor, nunca te basta.
E a imensa paz que para além te arrasta
quanto mais se te esquiva ou te renega...
Paz tão do alto e paz dessa macega
que nos campos esplende à luz mais casta.
A beleza te fere e todavia
afaga, uma emoção (sempre a primeira e nunca
repetida) que conduz
o teu deslumbramento para um dia
à noite misturado, na clareira
em que te sentes noite em plena luz.

*Menotti Del Picchia (SP)
20/03/1892 – 23/08/1988




Soneto
Natividade Saldanha*











Se, no seio da pátria carinhosa,
Onde sempre é fagueira a sorte dura,
Inda lembras, e lembras com ternura,
Os meigos dias da união ditosa;

Se entre os doces encantos de que goza
Teu peito divinal, tua alma pura
Suspiras por um triste e sem ventura,
Que vive em solidão cruel, penosa;

Se lamentas, com mágoa, a minha sorte,
Recebe estes meus aís, oh minha amante,
Talvez núncios fiéis da minha morte.

E se mais nós não virmos, e eu distante
Sofrer da parca dura o férreo corte:
Amou-me, dize, então morreu constante.


*Natividade Saldanha (PE)
08/09/1796 – 30/03/1830





Diga aí!


“Nesta fase, a questão não é mais: como pode o indivíduo satisfazer suas próprias necessidades sem ferir os outros, mas sim: como ele pode satisfazer as suas necessidades, sem ferir a si mesmo, sem reproduzir, através de suas aspirações e satisfações, a sua dependência de um aparelho de exploração que, na satisfação de suas necessidades, perpetua sua servidão.” (Herbert Marcuse – Filósofo e Sociólogo)



Diga lá!



“Na verdade, se admitíssemos que a desumanização é vocação histórica dos homens,  nada mais teríamos que fazer, a não ser adotar uma atitude cínica  ou de total desespero. A luta pela humanização, pelo trabalho livre, pela desalienação, pela afirmação dos homens como pessoas, como seres para si, não teria significação.” (Paulo Freire – Pedadgogo)







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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima