sexta-feira, 29 de julho de 2011


Poemas de Luíz Carlos Monteiro


GRAFITO EM RECIFE 

Não te provoco - Sei que és violenta
e podes dispor de meu corpo
sem que eu o saiba ou espere.
Não te evoco,
e também
o louvar não te quero -
em meio a falácias e lutas
a viver o delírio dos loucos
e a sonhar num adolescer de destroços
não te rejeito ou refuto, não te renego ou expulso
de mim
ó cidade vadia, cidade maligna, obscura cidade!
Cidade ativa
desenfreada, divina
por onde amo e circulo.



O CEGO DA CAXANGÁ

Veste o melhor trapo o cego
para pedir a esmola diária
Descendo ônibus
subindo ônibus
descendo este ônibus
e a tomar novo ônibus
Não padece esse cego
vergonhas recatos pudores
nem qualquer outro tipo
de sentimento burguês
que de algum modo o impeça
de ganhar o seu troco
obter seu pecúlio
batalhar o seu soldo.
2.
Não esquece esse cego
o não visto,
o impressentido
e o ir-
realizado,
porém
não desvenda,
não vê
e não sente essa vida
este cego?
3.
Alguém vê, quem desvenda, qual enfim
poderá refletir essa vida
com suas órbitas vazadas de cego?



PARA SENTIR O TEU CORPO

É tão ínfima a distância
quanto viva a lembrança -
E é tão vivo e tão próximo teu corpo
que não se perde a esperança



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima