quarta-feira, 20 de dezembro de 2000


GREGÓRIO DE MATOS

(Salvador /BA, 20/12/1936 – Recife/PE, 26/11/1696)


Foi considerado como o maior poeta do Barroco brasileiro e o mais importante da nossa literatura no período colonial. Por sua violência satírica ficou conhecido como o “Boca do Inferno”.  Escreveu poesia lírica, satírica e religiosa. Suas poesias satíricas possuiam um conteúdo sociológico e rico em recursos linguísticos, neles o poeta narra episódios da vida popular, cotidiana e política do período colonial. Sua poesia lírica é dividida em quatro dimensões: lírico-amorosa, lírico-filosófica, lírico-erótica e lírico-religiosa. É patrono da Cadeira nº 16 da Academia Brasileira de Letras. Foi exilado e retornou ao Brasil em 1695, sob algumas condições: foi proibido de voltar ao estado da Bahia e publicar suas sátiras. Vindo para o Recife, conseguiu fazer-se mais querido que na Bahia, vindo a falecer no ano de 1696, aos 73 anos de idade.
Em 1831, o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen publicou 39 dos seus poemas na coletânea “Florilégio da Poesia Brasileira” (1850 em Lisboa).
Entre seus grandes poemas está o "A cada canto um grande conselheiro", no qual critica os governantes da cidade da Bahia de sua época.


Retrato / Dona Ângela

Anjo no nome, Angélica na cara
Isso é ser flor, e Anjo juntamente
Ser Angélica flor, e Anjo florente
Em quem, se não em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente
Que por seu Deus, o não idolatrara?

Se como Anjo sois dos meus altares
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda
Posto que os Anjos nunca dão pesares
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.





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