terça-feira, 28 de novembro de 2000


DA COSTA E SILVA

(Amarante/PI, 28/11/1885 – Rio de Janeiro/RJ, 29/06/1950)

 
Poeta e advogado. Sangue foi seu livro de estreia na poesia, em 1908. Sua poesia oscilou entre o Parnasiano e o Simbolismo, sempre com um estilo próprio e inconfundível. É o autor da letra do Hino do Piauí. Pertenceu a Academia Piauiense de Letras, ocupou a Cadeira nº 21.
Principais obras: Sangue (1908); Zodíaco (1917); Pandora (1919); Verônica (1927).


 A aranha

Num angulo do tecto, agil e astuta, a aranha
Sobre invisivel tear tecendo a tenue teia,
Arma o artistico ardil em que as moscas apanha
E, insidiosa e subtil, os insectos enleia.

Faz do fluido que flue das entranhas a extranha
E fina trama ideal de seda que a rodeia
E, alargando o aronhol, os élos emmaranha
Do alvo disco nupcial, que a luz do sol prateia.

Em flóculos de espuma urde, borda e desenha
O arabesco fatal, onde os palpos apoia
E, tenaz, a caçar os insectos se empenha.

Vive, mata e produz, nessa faina enfadonha;
E, o fascinante olhar a arder como uma joia,

Morre na própria teia, onde trabalha e sonha.



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    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima