sábado, 8 de abril de 2000


BASÍLIO DA GAMA

(Tiradentes/MG, 08/04/1741 – Lisboa (Portugal), 31/07/1795)
  

Estudou direito na Universidade de Coimbra (Portugal), participou da efervescência do Arcadismo português, revelando assim, seu talento de poeta Neoclássico, ao escrever poesias líricas e, especialmente, épicas. Com o poema “Uraguaí”, consegue a celebridade, ao reverter o esquema épico tradicional; harmonizar a paisagem à ação épica, dando-lhe plasticidade, além de tratar os indígenas como matéria poética e não apenas informativa. Utiliza os versos da tradição épica neolatina, o decassílabo, com o qual consegue efeitos sonoros e imagéticos.
Principais obras: Epitalâmio às núpcias da Sra. D. Maria Amália (1769); O Uruguai (1769); A declamação trágica (1772); Os Campos Elíseos (1776); Relação abreviada da República e lenitivo da saudade (1788); Quitúbia
(1791).


A uma senhora*

Na idade em que eu, brincando entre os pastores, 
andava pela mão e mal andava,
uma ninfa comigo então brincava,
da mesma idade e bela como as flores.

Eu, com vê-la, sentia mil ardores;
ela punha-se a olhar e não falava.
Qualquer de nós podia ver que amava,
mas quem sabia então que eram amores?

Mudar de sítio à ninfa já convinha:
foi-se a outra ribeira; e eu só, naquela
fiquei sentindo a dor que na alma tinha.

Eu, cada vez mais firme; ela mais bela.
Não se lembra ela já de que foi minha;
eu ainda me lembro que sou dela!...

*Extraído de Sonetos brasileiros do  século XVII – XX. Colletanea organisada por Laudelino Freire.  Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cie., 1913



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