quarta-feira, 29 de março de 2000


ZÉ DA LUZ

(Itabaiana/RN, 29/03/1904 - Rio de Janeiro/RJ, 12/02/1965)


Foi poeta popular e alfaiate de profissão. Publicava suas obras em forma de literatura de cordel. Segundo Manuel Bandeira: “pertence àquela categoria de poetas intermediários entre a poesia culta da cidade e a poesia dos improvisadores sertanejos”. Sua poesia era considerada como de cunho social.
Principais Obras: Brasi Caboco; A cacimba; As flô de Puxinanâ; A terra caiu no chão.
  


AS FLÔ DE PUXINANÃ
(Paródia de As "Flô de Gerematáia" de Napoleão Menezes) 

Três muié ou três irmã, 
três cachôrra da mulesta, 
eu vi num dia de festa, 
no lugar Puxinanã. 

A mais véia, a mais ribusta 
era mermo uma tentação! 
mimosa flô do sertão 
que o povo chamava Ogusta. 

A segunda, a Guléimina, 
tinha uns ói qui ô! mardição! 
Matava quarqué critão 
os oiá déssa minina. 

Os ói dela paricia 
duas istrêla tremendo, 
se apagando e se acendendo 
em noite de ventania. 

A tercêra, era Maroca. 
Cum um cóipo muito má feito. 
Mas porém, tinha nos peito 
dois cuscús de mandioca. 

Dois cuscús, qui, prú capricho, 
quando ela passou pru eu, 
minhas venta se acendeu 
cum o chêro vindo dos bicho. 

Eu inté, me atrapaiava, 
sem sabê das três irmã 
qui ei vi im Puxinanã, 
qual era a qui mi agradava. 

Inscuiendo a minha cruz 
prá sair desse imbaraço, 
desejei, morrê nos braços, 
da dona dos dois cuscús! 



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    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima