sexta-feira, 24 de março de 2000


OLEGÁRIO MARIANO

(Recife/PE, 24/03/1889 - Rio de Janeiro/RJ, 28/11/1958)


Poeta, político e diplomata. Membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira nº 21. Filho de José Mariano Carneiro da Cunha e Olegária da Costa Gama, ambos heróis pernambucanos da Abolição e da República. Estreou na literatura aos 22 anos de idade com o livro “Angelus” em 1911. Sua poesia falava de neblinas, cismas e de sofrimentos, perfeitamente identificadas com os preceitos do Simbolismo, já em declínio. Foi conhecido como o “Poeta das Cigarras”, por causa de um dos seus temas prediletos. Foi Deputado e participou da Assembleia Constituinte em 1934 que elaborou a Carta Magna. Foi Ministro plenipotenciário nos Centenários de Portugal em 1940. Foi Embaixador do Brasil em Portugal. Foi delegado da Academia Brasileira de Letras na Conferência Interacadêmica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945. Após a morte de Olavo Bilac foi eleito pela crítica como o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”. Sua poesia era lírica com fundo romântico, pertinente à fase do sincretismo Parnasiano-Simbolista de transição para o Modernismo.
Principais Obras: Angelus (1911); Sonetos (1912); Evangelho da sombra e do silêncio (1913); Água corrente (1917); Últimas cigarras (1920); Castelos na areia (1920); Castelos na areia (1922); Cidade maravilhosa (1923); Bataclan (1927); Canto da minha terra (1931); Destino (1931); Enamorado da vida (1937); Poemas de amor e da saudade (1932); Cantigas de encurtar caminhos (1949); Toda uma vida de poesia (1957).
  

Castelos na areia*

— Que iluminura é aquela, fugidia,
Que o poente à beira-mar beija e incendeia?
— É apenas a criação da fantasia: —
São castelos na areia.

 Andam, tontas de sol, brincando as crianças
Como abelhas que voaram da colmeia.
Erguem torreões fictícios de esperanças...
São castelos na areia.

 Ao canto de um jardim adormecido:
"Por que não crês no afeto que me enleia?
E as palavras que eu disse ao teu ouvido?"
— São castelos na areia.

 E o tempo vai tecendo, da desgraça,
Na roca do destino, a eterna teia.
— "E os beijos que trocamos?" — Tudo passa,
São castelos na areia.

Coração! Por que bates com ansiedade?
Que dor é a grande dor que te golpeia?
Ouve as palavras da Fatalidade:
Ventura, Amor, Sonho, Felicidade,
São castelos na areia.

*Publicado no livro Castelos na areia: poemas/1922



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