quarta-feira, 5 de janeiro de 2000


PAULO GONÇALVES DE ARRUDA

(Recife/PE, 05/01/1873 - 08/05/1900)


Poeta e jornalista. É patrono da Cadeira nº 19 da Academia Pernambucana de Letras. Foi considerado pela crítica da época um grande sonetista. Organizou conjuntamente com França Pereira e Teotônio Freire a Revista Contemporânea. Deixou inédito um livro de poemas intitulado “Nelumbos”.


Desespero*

Basta, Senhor! O bárbaro castigo
Que me infliges, não é castigo, é morte;
Não me aparece de um Deus clemente e forte
Mas de um mortal e acérrimo inimigo!

   Vês? Arquejo de dor, arquejo e sigo
   Sem conforto, sem fé, triste e sem norte;
   Sem, como tu, achar um braço amigo
   Que essa cruz ao Calvário me transporte!

Basta! Ao menos suavizar a angústia intensa
Que eu levo a errar por essa estrada imensa
No desespero eterno de um precito;

   Que não me arranque mais tão cruelmente
   Pedaços da alma o látego candente
   Desse amor infernal, atroz, maldito!

*In História geral da literatura pernambucana, 1955, p. 65



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima