domingo, 9 de fevereiro de 2014


Poemas da Semana

Poemas de Natanael Lima Jr, Frederico Spencer, Juareiz Correya, Vital Corrêa de Araújo e Jade Dantas

Voz por toda parte*
Natanael Lima Jr

    Img: Reprodução

um acordo fiz contra o acordo:
sangrar de vez a voz
e ser grito e lábios eternamente

um acordo fiz contra o acordo:
ser palavras qual extensão da vida
e ser mãos, olhos e alma

um acordo fiz contra o acordo:
jamais limitar os sonhos
e viver até desflorescer

um acordo fiz contra o acordo:
jamais ressuscitar a dor,
ser amor presente
e voz por toda parte

janeiro/2010

*Do livro “À espera do último girassol & outros poemas, 2011.



Delírio das horas*
Frederico Spencer

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As horas batem
a agonia abissal deste tempo
engendramos desejos púrpuros
nas máquinas que constroem
esses cristais e o vidro
em nossa pele o medo
de não querermos mais
os rolezinhos, o Black Bloc, as multidões nas ruas
nos shoppings de nossos sonhos
com suas vitrines tristes
repousam as cidades
que sonhamos suas promessas
não empolgam mais. O que fazer
a não ser maquinar
bater as horas
e não chorar mais
uma lágrima sequer
escorrer agora.

*Do inédito: Código de Barras



Sonho vida
Juareiz Correya

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desperto e completo o dia na noite
vivo meus sonhos com os olhos abertos,
o sono mutila o dia e anula a noite.
o sono foge as horas em minhas mãos

- irrealizáveis partículas dos meus átomos,
não multiplicadas semanas dos meus corpos,
improdutivos meses das minhas vidas,
inúteis anos e séculos da cotidiana eternidade –

o sono estraga todos os sonhos
e eu sei que, dormindo, não repousamos.
a vida é energia desperta claro dia
iluminando a noite mais profunda.
o sono é morte.

*Do livro América indignada y poemas da alegria da vida, Panamerica Produções / Nordestal Editora, Recife, PE, 1991



Fuga do rosto*
Vital Corrêa de Araújo

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Narciso se contempla absorto
no amante que o aquoso
espelho cria da matéria
formosa do seu rosto

Ao beijar-se vê o lábio
trêmulo da água o sopro
do amor mover-se como
de si fugisse a face

Ao suspiro de Narciso
se encrespa a água
e a imagem amada
de si mesma si estilhaça.

*In Poesia pernambucana hoje



Esperança
Jade Dantas

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quando achava que não havia esperança
uma bem verde pousou-me na janela
verde é a esperança que me encanta

inerte e cinza é a desilusão
a esperança me escala a parede
ela é pequena, efêmera, matéria e luz

e a qual tamanho pode crescer uma esperança?
ingênua voa sobre minha cabeça
enquanto fecho portas e janelas

tentando prender comigo a esperança
me concentrando em segurá-la
deve ser bom ter a esperança guardada

mas é tão frágil. Sua fragilidade vence
e o desafio aos poucos perde a cor
deixar morrer a esperança em minhas mãos?

desisto
ela é poesia, é livre, e abro as portas
para me ultrapassar de esperança




5 comentários:

  1. Domingo Com Poesia que bela seleção de poemas. Parabéns!!!

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    1. Olá Negreiros, obg pela visita e comentário.

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  2. Meu domingo fica mais poético com essas publicações. Parabéns aos poetas e editores.

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    1. Obg Luciana, é a força e a luz da poesia. Volte sempre!

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    2. Luciana, obrigado pela sua visita e comentário, trabalhamos para oferecer o melhor aos nossos leitores, que bom que gostou, volte sempre.

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    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima